Archive for August, 2009

Tarantino, o Vingador

“Os filmes sobre o Holocausto mostram sempre os judeus enquanto vítimas”, diz ele, francamente exasperado pela falta de imaginação de Hollywood. “Já todos vimos essa história. Eu quero ver algo diferente. Vamos lá ver alemães que tremem de medo de judeus.”

— Quintin Tarantino, sobre o seu novo filme, Inglourious Basterds. Jeffrey Goldberg fala com ele e escreve sobre o filme num artigo imperdível da Atlantic Monthly, aqui: Hollywood’s Jewish Avenger

Os meus mortos

‘Só os mortos não morrem’

Só eles a mim me restam, são tranquilos e leais
os que a morte não pode matar mais com seus punhais.

Ao declinar da estrada, no final do dia
em silêncio se acercam, em sossego seguem minha via.

Verdadeiro pacto é o nosso, nó que o tempo não desmente.
Só aquilo que perdi é meu eternamente.

Rahel (Bluwstein), 1890 – 1931.
(tradução minha)

Isaac D’Israeli: Jews in Portugal

Recordo o meu espanto ao ler de passagem os Anais da Real Academia de Lisboa, dos dias de hoje, e encontrar porções consideráveis ocupadas sobre os temas da erudição judaica e de escritores judeus, da primeira época da monarquia portuguesa até ao século XVII. Nenhuma outra Academia nacional regista este conhecimento recôndito e este grande deleite em seus autores judeus. O filosófico físico da embaixada elucidou-me; assegurou-me ele que a afeição pela religião de seus pais era excessiva, e que muitas personalidades públicas, na agonia das suas consciências religiosas, tinham frequentemente escapado para as sinagogas de Inglaterra ou da Holanda. Era este sentimento que, não obstante os seus Autos da Fé, o próprio governo não podia mais disfarçar. Tenho agora à minha frente vários decretos, o último deles datado de 1773. Aqui é formalmente abolida a odiosa distinção entre Cristãos Novos e Cristãos Velhos — que há tanto atormentava os portugueses meio judaizados. Até permite aos filhos de Moisés celebrarem as suas festas; proíbe a compulsão ao baptismo, liberta-os de todos os impostos até aqui aplicados aos judeus e faz honrosa menção, por nome, de certos oficiais do Estado que eram judeus, que tinham até sido primeiros-ministros e tesoureiros; declara finalmente que “o sangue dos hebreus é o sangue dos nossos apóstolos, dos nossos diáconos, dos nossos presbíteros e dos nossos bispos.” Tudo isto pode ser confirmado por uma recente observação casual de Madame Junot, a Condessa de Abrantes. Escreve ela: “A Nação Portuguesa, apesar de três partes judia, é obstinadamente reticente em admitir entre si qualquer pessoa que não traga boas provas da pureza do seu sangue.”

Isaac D’Israeli (1766 —1848), Genius of Judaism, pág. 242-5



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