Mas é o Mundo que paga…

Neste terceiro e último ensaio da série publicada originalmente no Ma’ariv — e traduzida aqui na Rua da Judiaria [ver O Mundo Permanece em Silêncio e O Mundo Permanece em Silêncio II (Os Refugiados)] — Ben-Dror Yemini examina o fluxo de ajuda financeira e humanitária canalizado para a Autoridade Palestiniana.
Com a acutilância que marcou os dois primeiros textos, Yemini recorre a números oficiais e relatórios internacionais para traçar um retrato da situação económica e do nível de vida dos palestinianos. Mais uma vez, tal como nos dois artigos anteriores, este texto é fundamental para colocar o conflito israelo-palestiniano em perspectiva — algo que manifestamente se encontra ausente da narrativa unilateral e polarizada que vai dominando os media.
um artigo de Ben Dror Yemeni
Segundo a opinião pública mundial, os palestinianos são o povo mais desgraçado do planeta. O mais oprimido da terra. Eles são uma nação que incorpora uma parte substantiva da imagem de vítima. Inúmeras publicações abordam esta miséria, esta pobreza, escrevem sobre o estatuto de refugiado que permanece inalterado há décadas. Mas, também aqui, a relação entre os factos e a propaganda é menor que nada.
No primeiro artigo desta série, O Mundo Permanece em Silêncio, abordámos o assassínio em massa que árabes, principalmente muçulmanos, cometem contra muçulmanos e árabes, comparando com os números relativamente baixos de árabes, em geral, e palestinianos, em particular, mortos no quadro da disputa com Israel. O segundo artigo da série, O Mundo Permanece em Silêncio II: Os Refugiados, analisou a manipulação do problema dos refugiados palestinianos: apesar de quase 40 milhões de pessoas terem sofrido com permutas populacionais realizadas com o propósito de criar estados com identidades nacionais, étnicas ou religiosas, apenas os palestinianos, de entre todas essas dezenas de milhões, permanecem como refugiados.
Este terceiro artigo irá examinar agora o mito da miséria palestiniana. Os palestinianos estão, de facto, em má situação. Ninguém disputará isto. A questão reside em perceber se isso é produto de danos causados pelos próprios e pelos quais os palestinianos são responsáveis, ou se é apenas fruto do sofrimento provocado por Israel e pelos Estados Unidos.
O mito, que é cultivado pelas “forças progressistas”, afirma que, naturalmente, os Estados Unidos são a raiz de todo o mal. Não só possuem uma “política desequilibrada”, como são o opressor das legítimas aspirações do povo palestiniano. E Israel, claro, agudiza a opressão geral. Será mesmo assim?
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