Archive for December, 2007

Boas Festas…

::PARA OUVIR::

Give The Jew Girl Toys, uma cantiga sobre judeus e o Natal escrita e cantada pela humorista iconoclasta Sarah Silverman.

::PARA LER E OUVIR:: Judeus que escreveram canções de Natal – Arquivos da Rua da Judiaria

Sousa Mendes em Jerusalém

Foi inaugurada esta semana no Parlamento israelita uma exposição intitulada Aristides de Sousa Mendes – O Cônsul Português que Salvou Milhares de Refugiados Judeus durante o Holocausto. A abertura da mostra contou com a presença do Secretário-Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros, embaixador Fernando Neves, e do presidente do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-Israel, o deputado João Rebelo, designado em representação da Assembleia da República. Da parte israelita, estiveram presentes na inauguração a vice-presidente da Knesset e presidente do Grupo Parlamentar de Amizade Israel-Portugal, Colette Avital, e a directora do Departamento dos Justos Entre as Nações do Yad Vashem, Irena Steinfeld, em representação do presidente daquela instituição, Avner Shalev.
Durante a cerimónia na capital israelita, Jerusalém, os presentes salientaram a importância e a magnitude da acção humanitária de Aristides de Sousa Mendes e a necessidade de levar o nome do diplomata português, um dos mais destacados Justos entre as Nações, ao conhecimento dos israelitas.
Para quem lê hebraico, vale a pena ver com atenção este excelente artigo saído no Ha’aretz sobre Sousa Mendes e a exposição: המלאך מבורדו

Judaísmo Pop IV… and Soul


Nina Simone interpreta, em hebraico, Eretz Zavat R’á’lav U’dvash (Terra de Leite e Mel).

Um século de Oscar Niemeyer


“Não é o ângulo recto que me atrai. Nem a linha recta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos rios, nas ondas do mar, nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o Universo. O Universo curvo de Einstein.”

Oscar Niemeyer, o judeu que ajudou a conceber a capital do Brasil, nasceu a 15 de Dezembro de 1907. Niemeyer arquitectou ainda uma outra cidade: uma metrópole de arranha-céus destinada ao deserto israelita do Negev – que nunca chegaria a ser construída.

(…) Enquanto as cidades satélites começavam a desenvolver-se em torno de Brasília, em 1964 [no seguimento do golpe militar], Niemeyer foge para Israel, onde se exila. Niemeyer viveu escondido num quarto de hotel durante largos meses, concebendo uma cidade ideal. Foi convidado a fazer projectos para um local específico, ainda assim recusou ficar confinado. Niemeyer escolheu o deserto do Negev como tábua rasa para um plano sistemático que seria agrupado em torno de uma praça central, que funcionaria como um oásis. Os residentes morariam em torres idênticas e usariam automóveis apenas para viagens de longo curso. Antecipou a construção de uma via circular em redor da cidade, à medida que esta se tornava uma unidade autónoma que poderia ser reproduzida e alargada de forma linear. Crescimento descontrolado era algo a evitar a todo o custo.”

in Oscar Niemeyer: Eine Legende Der Moderne / A Legend of Modernism, de P. Andreas, M. Bill, L. Cavalcanti, E. Kossel, C. Krohn, N. Maak, J.C. Sussekind, Paul Andreas (Editor), Ingeborg Flagge (Editor), Deutsches Architektur Museum; p. 41.

Mais detalhes sobre o projecto de Niemeyer para a Cidade do Negev podem ser encontrado neste artigo do diário israelita Ha’aretz: Beyond the dunes and the desert.

::A LER:: Quase em Português: Niemeyer / Expo Oscar Niemeyer - 100 anos de encantamento / Global Voices em Português » Blog Archive » Oscar Niemeyer: 100 anos de uma arquitetura ousada / Oscar Niemeyer - Wikipedia / Pritzker Architecture Prize Laureates 1988 / Movimento Modernista: Oscar Niemeyer / Biografia: Oscar Niemeyer / Museo Oscar Niemeyer - Great Buildings Online / University of Haifa

5(000) Filmes


Luís Simões, autor do Elypse, desafia-me a nomear os “meus” 5 filmes. Os critérios são, obviamente, pessoais e subjectivos. Então, aqui vão eles, por ordem cronológica:

The Jazz Singer (1927)

Casablanca (1942)

Night on Earth (1991)

Urga (1991)

Everything Is Illuminated (2005)

As listas, por definição, têm sempre de ser redutoras. Esta, por exemplo podia sem bem mais longa… houve um número quase infindável de filmes que me marcaram em diferentes momentos da minha vida. Fosse a lista maior, poderia acrescentar mais estes (pela ordem a que me vêm à cabeça):

8 ½, de Felilni; Schindler’s List, de Spielberg; Miller’s Crossing, Fargo e The Big Lebowski, dos irmãos Ethan e Joel Coen; Fanny & Alexander, de Ingmar Bergman; 400 Coups, de Truffaut; Der Himmel über Berlin (Asas do Desejo), de Wim Wenders; Aguirre, der Zorn Gottes (Aguirre o Aventureiro), de Werner Herzog; Chinatown, de Roman Polanski; The Maltese Falcon (A Relíquia Macabra), de John Huston; The Big Sleep, de Howard Hawks; Captains Courageous, de Victor Fleming; The Godfather (a trilogia), de Coppola; Citizen Kane, de Orson Wells; The Cradle Will Rock, de Tim Robbins; Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore; The Graduate, de Mike Nichols; To Kill a Mockingbird, de Robert Mulligan; Mississippi Burning, de Alan Parker; Short Cuts, de Robert Altman; Spartacus, Dr. Strangelove e Full Metal Jacket, de Stanley Kubrick; Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa; La Vingt-cinquième Heure (A 25ª Hora), de Henri Verneuil; Coffee and Cigarretts, Dead Man e Broken Flowers, de Jim Jarmusch; Lost in Translation, de Sofia Coppola; In the Heat of the Night, Fiddler on the Roof (Violino no Telhado) e Moonstruck (O Feitiço da Lua) de Norman Jewison; Au revoir, les enfants, de Louis Malle; Big Night, de Stanley Tucci; Love and Death, Take the Money and Run, Annie Hall, Manhattan, Hannah and Her Sisters, Zelig, Hollywood Ending e Scoop, de Woody Allen…
Havia mais, muitos mais, numa lista que, a continuar, seria cada vez mais incongruente e contraditória.

Para prosseguir esta “corrente” gostaria agora de convidar Francisco José Viegas, Rui Cerdeira Branco, Heitor, Ricardo António Alves e Filinto Melo a darem conta dos seus 5 filmes de eleição.

Hanuká com Manhattan em fundo

Uma das primeiras grandes lições de Kabbalah que o rabino Solomon me deu em Los Angeles condensava-se numa simples frase composta por três palavras: “Não há coincidências.” O judaísmo é pródigo em frases destas; aparentemente simples, aparentemente banais, mas densas de significados – cada uma destas frases é um verdadeiro novelo hermenêutico –, tal como, para um olhar destreinado, um diamante pode aparentar não ser mais do que um simples pedaço de vidro.
Na primeira noite de Hanuká, o Francisco José Viegas, fez-me uma enorme surpresa mas, ao evocar o milagre do reencontro, o Francisco nem imaginava este milagre da coincidência: no exacto local onde, em Fevereiro, tirámos aquela foto, ergue-se hoje um imenso Hanukiá – o candelabro de nove braços acendido paulatinamente durante os oito dias de Hanuká. A foto acima, tirada ao fim da tarde gélida que marcou o início do terceiro dia de Hanuká, com Manhattan e o fantasma das Torres Gémeas do World Trade Center no outro lado do rio, prova o feliz acaso. Se é que as coincidências existem mesmo…

Feliz Hanuká (חג חנוכה שמח)


::PARA OUVIR::

Hanukkah Dance, de Woody Guthrie, o baladeiro de Oklahoma, gravada na década de 40 por Moses Asch, fundador da Folkways Records, de Nova Iorque (ver Smithsonian Global Sound: The Asch Recordings, Vol. 1-4)

Esta inesperada e deliciosa cantiga – fruto, entre outras coisas, da profunda amizade que Woody Guthrie nutria pela sua sogra, a poetiza yiddish Aliza Greenblatt – serve de mote para desejar a todos os leitores da Rua da Judiaria um feliz Hanuká. Que o Festival das Luzes possa trazer milagres, saúde e paz.
O Francisco José Viegas aproveitou o primeiro dia de Hanuká para me fazer uma grande surpresa, oferecendo-me a mais valiosa das prendas. Um abraço imenso para ti Francisco, e espero logo mais poder responder-te na mesma moeda… como? É surpresa…

Petição em nome da Memória

Depois do adiamento da discussão na Câmara Municipal de Lisboa da proposta apresentada pelo vereador José Sá Fernandes, no sentido de criar um monumento evocativo da memória dos milhares de judeus portugueses assassinados em três sangrentos dias de Abril de 1506, e temendo que a iniciativa ficasse irremediavelmente votada ao esquecimento, o historiador Jorge Martins lançou uma petição online. Em nome da Memória, apelo aos leitores da Judiaria que colaborem com este esforço, assinando e divulgando esta petição.
O professor Jorge Martins é também o autor de “Portugal e os Judeus”, um notável e cuidado estudo em três volumes lançado em 2006 – a mais completa história dos judeus portugueses publicada entre nós em mais de um século.

Kaddish


“Adeus”, auto-retrato de Chaim Goldberg (1917-2004) com sua mãe.





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