Archive for June, 2006

Portugal apaga Irão do mapa… do Mundial

O cantinho do hooligan

Portugal 2 – Irão 0


Nas bancadas, ao mesmo tempo que Deco e Cristiano Ronaldo selavam o destino da selecção iraniana, adeptos portugueses erguiam a bandeira de Israel.

Horas depois…

Num dos jogos mais emotivos deste Mundial, o Gana vence a República Checa por 2 a 0. No final, festejando a vitória, John Pentsil, jogador do Gana, tira das meias uma bandeira que ali escondera durante todo o jogo: a azul e branca de Israel. Pentsil, que joga no Hapoel Tel Aviv, é um de três jogadores da selecção do Gana a jogar em Israel.

Mazel Tov Francisco!


A vida escondida. Há gente surpreendente, não damos nada por ela e um dia surpreendem-nos, viveram em lugares estranhos, caçaram leões, perderam-se a voltar para casa e nunca mais voltaram, conseguiram ler Saramago ou ganharam um prémio de literatura. Há sempre uma surpresa à nossa espera.”

Longe de Manaus, palavras de Jaime Ramos escritas por Francisco José Viegas (pág. 201)

Dos jornais: “O Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores 2005 foi ontem atribuído ao livro “Longe de Manaus”, de Francisco José Viegas. Trata-se de um dos mais importantes prémios literários portugueses.” Confesso que esta foi a melhor notícia que li nos últimos tempos. Não é todos os dias que um amigo (por quem sempre “dei muito”, ao contrário da citação…) ganha um prémio. Não é todos os dias que um amigo ganha um prémio literário. O maior prémio da literatura portuguesa. Parabéns Francisco!


Tive um namorado que era da direção do Círculo de Cultura Judaica e que começou me ensinando hebraico em iluminuras portuguesas, letra a letra, ele em tronco nu (tinha uma tatuagem, eu lembro), numa cama de um hotel eu de calcinha e camiseta, pronunciando os erres com agá aspirado à mistura, lendo da direita para a esquerda, e então ele ia para junto da janela, São Paulo ao fundo, recortado como numa fotografia de Nova Iorque, e então ele recitava, recitava em hebraico e traduzia. Vestia camisas de flanela e era bom de cama, me levava a restaurantes para comer camarão e frutos do mar, que lhe estavam proibidos, e eu gostava disso. Ele pecava comigo e eu era toda pecado. Mas depois acabou, não me lembro o mês do ano, lembro só que acabou. Ele me dizia que eu tinha o perfume do mel. Era mentira. Devia ser. Perfume de mel é enjoativo. Eu não sou enjoativa, eu sei. A gente se prometeu que nunca terminaria por telefone, pelo menos isso. A gente se promete sempre isso, a gente vê sempre isso nos filmes e diz isso em quartos de hotéis e mesmo na véspera das despedidas. Mas ele telefonou num primeiro domingo cancelando o encontro. Depois telefonou noutros dias cancelando outros encontros. Foda. Vida é foda mesmo. Homens não assim tão interessantes. Não são assim tão inteligentes. Meu nome é Daniela. Sou uma garota urbana, trinta e dois anos, e acho que homens maravilhosos só existem mesmo na literatura, onde não há desperdício de amor. Mas se desperdiça bastante, na vida real. Muito, bastante, de mais.”

Longe de Manaus, Francisco José Viegas (págs. 334 e 335)

O Pedido

Um Pequeno Conto


“O Cerco de Sebastopol”, 1854, William Simpson, Greenwich Hospital Collection


Contou o rabino Naftali de Ropschitz:
“Durante o cerco de Sebastopol, trotava o czar Nicolau no seu cavalo quando um arqueiro inimigo fez pontaria sobre ele. Um soldado russo, que observava de longe, gritou para assustar o cavalo do czar, que se voltou de repente no exacto momento em que a flecha disparava em sua direcção. Percebendo que fora salvo de morte certa pelo seu soldado, o czar agradeceu ao homem e disse que lhe concederia o desejo que ele quisesse. O soldado não pensou duas vezes: “O nosso sargento é uma besta e bate-me constantemente. Majestade, gostaria de poder ser transferido para uma nova companhia sob as ordens de outro sargento!”
“Idiota!”, respondeu-lhe o czar, “porque não me pedes antes que te faça sargento?”
Nós também somos assim: preocupamo-nos com coisas pequenas, rezamos para suprir as necessidades do momento e esquecemo-nos de ver para além delas.

Rabino Naftali de Ropschitz, Ucrânia, séc. XIX

Shabot6000: Ortodoxo?


(clique na imagem para ampliar)





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