Archive for September, 2005

Sinais…


Sami Michael, israelita, nomeado para o Nobel da literature por um académico palestiniano

Ahmed Harb, escritor, crítico literário e catedrático palestiniano de Ramallah, propôs oficialmente a nomeação do escritor israelita Sami Michael para o Nobel da Literatura (ver Palestinian writer nominates Sami Michael for Nobel Prize.) Em entrevista ao diário Haaretz, Ahmed Harb diz ter ficado “profundamente impressionado com a escrita de Sami Michael” que, na sua opinião, tem influenciado não só leitores israelitas mas também palestinianos e árabes a compreender o destino que partilham no Médio Oriente. “Com os seus romances, lavrados por um mestre, Sami Michael granjeou uma audiência israelita, palestiniana e internacional. Como escritor palestiniano tenho a honra de recomendar calorosamente Sami Michael para o Nobel da Literatura”, escreveu o professor Ahmed Harb na carta enviada à Academia de Estocolmo. Ainda na entrevista ao Haaretz, Harb adianta: “Para mim, a literatura está acima de qualquer conflito, por mais difícil e complexo que seja. Talvez seja apropriado encarar a minha carta como uma missiva de paz para ambos os lados.”
Confrontado com a sua nomeação para o Nobel feita pelo académico palestiniano, Sami mostrou-se profundamente comovido: “Apetece-me beijá-lo. Ele está a tomar um risco enorme ao fazer esta recomendação. Seres humanos generosos como Harb são a mais importante indicação de que temos aliados do outro lado.”
Judeu nascido em Bagdade, no Iraque, em 1926, Sami Michael é um dos mais conceituados escritores israelitas da actualidade, ao lado de Amos Oz, David Grossman e A.B. Yehoshua – um grupo no qual se integra também no que diz respeito às opções políticas. Na sua obra confluem inevitáveis influências judaicas e árabes, reflectindo as condicionantes da sua própria vida.
Sami fugiu do Iraque para o Irão em 1948, após a polícia secreta ter descoberto o seu envolvimento num grupo de resistência clandestino. Um ano depois, quando o governo iraniano se preparava para o extraditar para Bagdade, Sami consegue escapar para Israel, onde vive desde então. Após cumprir o serviço militar, começou a trabalhar para um semanário árabe de Haifa, onde escrevia a quase totalidade da secção literária. Durante 25 anos trabalhou para o Ministério israelita da Agricultura, fazendo prospecção de reservas naturais de água junto da fronteira com a Síria. Sami Michael estudou literatura árabe e psicologia na Universidade de Haifa e recebeu um doutoramento honorário da Universidade Hebraica de Jerusalém. Ao todo, escreveu 11 romances em árabe e hebraico – o primeiro dos quais publicado em 1973 –, abordando em todos eles complexas relações interligadas entre judeus e árabes, cristãos e muçulmanos, nacionalistas e comunistas, homens e mulheres, em Bagdade e em Israel.
Politicamente, Sami Michael identifica-se com a ala esquerda do Partido Trabalhista e há décadas que juntou a voz ao grupo de intelectuais israelitas no movimento pela paz. Infelizmente, nenhum dos seus romances foi ainda traduzido para português.

::A LER:: World Conference on Culture at Stockholm - 1998 - The Wish of the Three Prophets, a paper by Sami Michael / Writing for a Jewish Future: About Sami Michael / The outsider — Baghdad-born writer Sami Michael a living conduit between Israel’s Arabs and Jews.

ShaBot6000: O Lençol


(clique na imagem para ampliar)

Glossário:
O buraco no lençol – segundo este mito, os casais de judeus ortodoxos e ultra-ortodoxos apenas teriam relações sexuais separados por um lençol com um buraco. Esta urban legend não podia ser mais falsa (ver Urban Legends Reference Pages: Sheet Dreams Are Made of These), mas mesmo assim continua a encontrar terreno fértil na imaginação popular. Ao contrário do que o mito faz supor, o judaísmo é a menos “puritana” das grandes religiões monoteístas, encarando o sexo conjugal como fonte de prazer essencial para o casal. No século II, o rabino Shimon bar Yochai escreveu que durante o acto sexual o casal “vislumbra momentaneamente as delícias dos céus.” O mito do lençol com buraco foi utilizado magistralmente por Larry David – co-criador de Seinfeld –, ele próprio um judeu, num episódio recente da sua nova série Curb Your Enthusiasm.

Sem Título

Em 1965 ou 66
no College Sevigné
eles não gostavam de judeus
mas eu gostava de Bianca
a filha do veterinário
tão católica
quanto eu era judeu
apertava-a com força
antes de adormecer
criança-súcuba
que me tirou a bebida e a comida
ninguém compreendia nada
pensavam que estava doente
e de facto
eu estava doente
tal como nos contos de outros tempos
nenhuma poção
nenhum médico
podia fazer nada por mim.

Emmanuel Moses, poeta israelita contemporâneo. Judeu marroquino.
Poema do livro Le Present (1999).

A pergunta (um pequeno conto)


Quando morrer, e a minha alma for convocada diante de Deus, um turbilhão de apoquentações e dúvidas tomará conta de mim. Nessa altura, imaginando o encontro com o Criador, tentarei antecipar as suas interrogações: “Zusya, porque não foste Moisés? Porque não foste Salomão ou David?” Mas, quando Hashem1 aparecer à minha frente, a sua única pergunta será bem mais simples: “Porque não foste Zusya?”

Rabino Zusya de Anapol (Polónia, século XVIII)
in Die Erzählungen der Chassidim (As Lendas dos Hassidim), Martin Buber, 1949.

1Palavra hebraica, literalmente significa O Nome, sinónimo de Deus no judaísmo.

Dedicado à memória de Simon Wiesenthal (1908-2005), um Homem que viveu além do seu próprio destino.

Sabedoria Antiga I


Le Serment des Horaces” [pormenor] (1784), Jacques-Louis David


Não faças chorar uma mulher, pois Deus conta todas as suas lágrimas. A mulher fez-se da costela do homem, não dos pés para ser espezinhada, nem da cabeça para ser superior, mas sim do lado para ser igual, (…) debaixo do braço para ser protegida e perto do coração para ser amada.”

Talmude (tratado Kiddushin), Eretz Israel, século I EC*

*Era Comum

Grandes Citações V


Negros e judeus estão intimamente ligados uns aos outros por uma história comum de perseguições. Se alguém, além de um negro, alguma vez cantar blues do fundo da alma, será obrigatoriamente um judeu. Os nossos dois povos sabem bem o que é ser o capacho de alguém.”

Ray Charles (1930-2004)

A estalagem

Um pouco de vinho
nesta ferida funda
que abre à noite
quando carros buzinam lá fora
e pedestres riem
gritando uns para os outros
animados por uma alegria
incompreensível àquele
que os vê por detrás das persianas.

Ele sonha acordado, subitamente na lua,
com a mulher que conheceu dois dias antes
e murmura o seu límpido nome
para o ouvir espalhado pelo quarto.

Sofrimento vem de outro lado,
que importa se é reflectido
em cada palavra
que ele aprendeu um certo número de
coisas
ajudado pela velhice,
especialmente que é necessário amar
quem está connosco, quem vem antes
e espera por nós,
sentado na estalagem nocturna.

Emmanuel Moses, poeta israelita contemporâneo. Judeu marroquino.
Poema do livro Dernières nouvelles de monsieur néant. Moses é casado com a escritora judia alemã Gila Lustiger.

Israel termina a ocupação de Gaza


Foto de Rina Castelnuovo, The New York Times

::A LER:: BBC - Israel desocupa Faixa de Gaza depois de 38 anos / BBC - Israel destrói último posto militar em Gaza / CNN - Israeli flag lowered over Gaza / Haaretz - Analysis: The ‘day after’ the disengagement begins now / Xinhua - Israeli ends military rule in Gaza / Haaretz - Israel News - IDF leaves Gaza after 38 years of military rule / Palestinians assume control of Gaza Strip - The Boston Globe / BBC Israel completes Gaza withdrawal / JTW News - Israel completes Gaza withdrawal / The Scotsman - Gaza synagogues burn as Israel goes / Seattle Post-Intelligencer: Palestinians set fire to empty synagogues

In Memoriam

Antes de 11 de Setembro de 2001. Nova Iorque.

“O Dia da Chegada”

Os judeus portugueses nas Américas

[Este post integra-se num “blogburst” promovido por Jonathan Edelstein, destinado a celebrar Arrival Day, o Dia da Chegada, que assinala o aniversário do desembarque dos primeiros judeus em Nova Iorque, a 7 de Setembro de 1654]


Nova Amsterdão. Gravura da autoria do cartógrafo Peter Schenk.
Atlas Hecatompolis.

Os nomes de família dos primeiros judeus americanos soam estranhamente familiares: Dias, Costa, Cardozo, Faro, Ferreira, Fonseca, Gomes, Lucena, Navarro, Nunes, Henriques, Machado, Maduro, Mendes, Mesquita, Pacheco, Peixotto, Pereira, Pinto, Penha, Seixas… Eram portugueses. Judeus portugueses do século XVII. Muitos deles “cristãos-novos”, que finalmente descartavam a capa que foram obrigados a envergar para escapar às fogueiras inquisitoriais; que ali procuravam abrigo, um refúgio da intolerância que mergulhava Portugal numa histeria de fanatismo sanguinário, que acabou por arrastar o país para um abismo do qual ainda hoje se sentem cicatrizes profundas. Os judeus portugueses chegaram a Nova Iorque a 7 de Setembro de 1654, quando a cidade era holandesa e ainda se chamava Nieuw Amsterdam. Faz hoje 351 anos.
Os primeiros vieram do Brasil, alguns depois de emigrarem primeiro de Lisboa para a Holanda. E tal como já acontecia na Holanda, estes emigrantes judeus de Nova Iorque eram conhecidos como “gente da Nação Portuguesa” (ver Hebrews of the Portuguese Nation). Mas para seguir a génese da comunidade judaica portuguesa em Nova Iorque é necessário primeiro viajar até ao Brasil colonial do século XVII, mais concretamente a Pernambuco, um território de extensão considerável capturado pelos holandeses em 1630.
Os judeus tinham desempenhado o seu papel na descoberta e colonização do Brasil. Desde 1500, quando Pedro Alvares Cabral desembarcou nas Terras de Vera Cruz acompanhado por Gaspar da Gama, um “cristão-novo”, até 1654, altura em que os portugueses expulsaram os holandeses, navegadores, pioneiros e colonos judeus ajudaram a moldar a história do Brasil. A Inquisição não tinha ainda atravessado o Atlântico e a distância emprestava uma ilusão de segurança. Muitos dos que ali chegavam eram deportados, condenados ao degredo por suspeita de judaísmo, transformando o território virtualmente numa colónia penal. Mesmo assim, o espectro inquisitorial pairava ainda na penumbra e sobre os judeus pesava o receio de poderem ser repatriados para Portugal a mando dos tribunais da Inquisição.
Num contraste extremo com o obscurantismo inquisitorial que dominava a península Ibérica, em Pernambuco a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais – responsável pela administração dos territórios da coroa dos Países Baixos nas Américas – proclamara logo de início, de forma inquestionável, a liberdade de consciência e de culto entre as populações das suas colónias:

“A liberdade dos espanhóis, portugueses e nativos, quer sejam [católicos] romanos ou judeus, será respeitada. A ninguém será permitido que os moleste ou os sujeite a inquirições em matéria de consciência ou nas suas casas privadas; e ninguém os ouse inquietar ou perturbar ou causar-lhes dano – sob pena de punição arbitrária ou, dependendo das circunstâncias, de severa e exemplar reprovação.”

in “Leis e Regimentos das Índias Ocidentais”, citada por Arnold Wiznitzer, “The Records of the Earliest Jewish Community in New York” (1957).

Apesar de algumas tentativas por parte de clérigos para restringir estas liberdades (especialmente contra os católicos, tidos como inimigos naturais dos calvinistas), a Companhia Holandesa das índias Ocidentais reafirmaria por várias vezes os princípios de tolerância. Perseguidos pela Inquisição em Portugal, este pedaço de “Brasil Holandês” aparecia aos olhos dos judeus portugueses como um oásis de tolerância, que lhes permitia praticar a sua religião livremente, libertando-os do receio, constante e real, das torturas inquisitoriais ou da morte nas fogueiras dos “autos-de-fé”. E assim foi durante 24 anos. No Pernambuco holandês, sob a administração de João Maurício de Nassau, a comunidade de emigrantes judeus de Portugal floresceu, fundando a primeira sinagoga das Américas, a Kahal Tzur Israel (Comunidade Rochedo de Israel), em 1637.
A 26 de Janeiro de 1654 as tropas portuguesas reconquistam o Recife com um ataque de proporções épicas, comandadas pelo general luso-brasileiro Francisco Barreto de Menezes – que a partir de então ficaria conhecido como “o restaurador de Pernambuco” –, pondo fim ao domínio holandês naquela região do Brasil.


Fólio do manuscrito de “Regras Benéficas e Restrições” para o governo da Sinagoga Shearith Israel, escrito em português e inglês, lavrado em Nova Iorque, em 1728. (clique na imagem para ampliar)

Os termos da rendição, assinados em Taborda, perto do Recife, são generosos para com os derrotados, dando aos holandeses um prazo de três meses (que seria prorrogado por mais três) para se retirarem do território recém conquistado, período durante o qual, segundo os mesmos termos, “não serão molestados ou vexados e serão tratados com respeito e cortesia.” Surpreendentemente, o general Barreto de Menezes mostra uma tolerância muito pouco habitual ao permitir igualmente (ajudando até) a saída dos judeus portugueses, apesar destes terem passado a ficar sob a alçada da Inquisição, o que lhe teria à partida vedado qualquer possibilidade de clemência. A lei exigia a deportação imediata dos judeus para Portugal.
A 20 de Fevereiro de 1654 os funcionários do tesouro real efectuaram um inventário de todas as casas no Recife e Maurícia anotando os seguintes nomes como “judeus proprietários de casas e lojas”: Jacob Valverde, Moisés Netto, Moisés Zacutto, Jacob Fundão, Moisés Navarro, David Atias, Benjamin de Pina, Abraão de Azevedo, João de Lafaia; Gil Correa, Gabriel Castanha, Gaspar Francisco da Costa, Fernão Martins, Duarte Saraiva e David Brandão. Outras aparecem mencionadas no inventário como “casa de judeus”, mas o nome dos seus proprietários não consta do documento.
Devido à escassez de embarcações holandesas que possibilitassem uma evacuação total, o general Barreto de Menezes ofereceu navios portugueses para transportar os judeus e assim os ajudar a escapar à Inquisição. Este gesto não seria esquecido, e os anais da história judaica portuguesa registam ainda hoje o nome de Francisco Barreto de Menezes, católico e “cristão-velho”, como um homem de nobre carácter – um hassid umot ha’olam (gentio justo e íntegro do mundo.)
Ao todo, 16 navios portugueses foram colocados à disposição dos seus compatriotas judeus pelo general Barreto de Menezes e a esmagadora maioria das cerca de 150 famílias judias do Brasil Holandês partiu em direcção à Holanda. Alguns optaram por ficar nas colónias holandeses nas Caraíbas onde, ainda hoje, a predominância de nomes de família portugueses (e a linguagem litúrgica) entre os judeus sefarditas do Suriname e de Curaçao prova essa ligação ancestral (ver também bloGUSblog: A estrela oculta do sertão, sobre os descendentes dos judeus portugueses que ainda restam no sertão brasileiro.)
Corsários, piratas e a intolerância religiosa ibérica tornariam ainda mais complicada a já difícil viagem de alguns deste judeus. Em Amsterdão, o rabino português Saul Levi Morteira – professor de Baruch Spinoza e mais tarde seu “excomungador” – deu conta dos percalços sofridos por uma destas embarcações no livro Providência de Deus com Israel, um manuscrito não publicado do qual apenas restam seis cópias:
“O navio foi capturado pelos espanhóis, que queriam entregar os pobres judeus à Inquisição. Ainda assim, antes de poderem cumprir os seus ímpios desígnios, o Senhor fez aparecer um navio francês que libertou os judeus dos espanhóis, levando-os depois para África, posto o que chegaram salvos e em paz à Holanda.”
Um outro navio, atacado por piratas ao largo do cabo de Santo António, em Cuba, seria também resgatado por um barco francês – o Sainte Cetherine, comandado pelo capitão Jacques de la Motthe. A 7 de Setembro de 1654, com 23 judeus portugueses a bordo, o Sainte Cetherine aporta a Nieuw Amsterdam, na ilha holandesa de Manhattan, a cidade que mais tarde passaria a ser conhecida como Nova Iorque. Era o primeiro grupo de judeus a chegar a América do Norte. Faz hoje precisamente 351 anos.
Destas vinte e três pessoas – homens, mulheres e crianças – sabe-se hoje muito pouco. São seis famílias, encabeçadas por quatro homens e duas viúvas. Só os seus nomes são mencionados nos registos oficiais. Mesmo assim é fácil adivinhar-lhes a proveniência: Abraão Israel Dias, Moisés Lumbroso, David Israel Faro, Asher Levy, Enrica Nunes e Judite Mercado.
A princípio, reticente, o governador holandês Peter Stuyvesant opôs-se à permanência dos judeus, escrevendo aos seus superiores argumentando que “se deixamos vir os judeus não tardam a vir os papistas.” O desespero de Stuyvesant aumentaria ainda mais quando os judeus apresentaram uma petição à Companhia Holandesa das Índias Ocidentais para poder fazer na Nova Amsterdão o que faziam em Pernambuco – viver livremente. A resposta da companhia foi favorável :

“Após muita deliberação, resolvemos dar provimento à petição apresentada por certos mercadores [judeus] da Nação Portuguesa, julgando-a favorável, para que eles possam viajar e comerciar com e na Nova Holanda e viver dentro dos seus limites.”

Em 1664, Nieuw Amsterdam passa para a coroa britânica e muda de nome. Dai para a frente será New York. Por volta de 1695, apesar de algumas restrições, os judeus tinham a sua primeira sinagoga improvisada, e a 8 de Abril de 1730 era dedicada a primeira sinagoga de raiz da comunidade que, logo à chegada, em 1654, escolhera o nome de Shearith Israel (Remanescente de Israel). Até ao final do século XIX tiveram duas línguas “sagradas”, ditadas pelos genes, pela fé e pelo apelo da memória. Faziam-se as orações em hebraico. Em português escreviam-se os documentos.


Dois rabinos da Sinagoga Portuguesa de Nova Iorque: H. Pereira Mendes (séc. XIX) e David de Sola Pool (séc. XX).

::A LER NA JUDIARIA:: Os primeiros judeus nas Américas (o capítulo seguinte…) / Genealogia Judaica Portuguesa / Salomão Nunes Carvalho: Um Judeu Português no “Faroeste Selvagem” / Uriah Levy: O judeu português que salvou Monticello / Emma Lazarus / Sabato Morais: O rabino abolicionista

::PARA OUVIR:: Abraham Lopes Cardozo – Mizmor le-David (Um Salmo cantado pelo rabino emérito da Sinagoga Portuguesa de Nova Iorque).

Katrina II


Tal como o 11 de Setembro, a tragédia tem servido até agora principalmente para que as pessoas possam confirmar as suas próprias ideias preconcebidas. A esquerda proclama-a como prova da necessidade de um governo federal robusto… os conservadores encontram justificações para confirmar a sua crença na necessidade de impor vigorosamente a ordem; os liberais vêem no desastre e no seu rescaldo um exemplar falhanço do governo… os ambientalistas impressionam-se com a constatação que o Katrina prova a necessidade de carros mais económicos; e loucos fanáticos religiosos de todas as crenças encontram ali “a mão de Deus” destruindo os seus inimigos… Viva, hurra! Todos ganham! Outra vez!”

Jim Henley, Unqualified Offerings

::A LER:: Água Lisa: As Lágrimas do Urubu / Miniscente: A hipocrisia da rapina /El Diario de Cecilia B. : La hora de los mezquinos

Quanta água tem uma lágrima?

Para ouvir:
Randy Newman – Louisiana 1927 *

Foto de Eric Gay, Associated Press

Quanta água tem uma lágrima,
E quanto tempo leva a secar?
Todo o tempo que houver medo e mágoa
Naquele que a continua a chorar.

Quanta água tem uma enchente
E quanto tempo leva a recuar?
Todo o tempo que levar a restaurar a esperança
Naquele que desesperadamente dela precisar.

Quanta água tem uma tempestade
E quanto tempo leva a passar?
O tempo que levar a reconstruir a casa
E tudo o que é querido restaurar.

Quanta água tem uma cidade
Quando as paredes da barragem se quebram?
Tanta quantas as lágrimas choradas
Quando tantos corações se vergam.

Rabi Zoe Klein
Temple Isaiah, Los Angeles
[poema em homenagem às vítimas do furacão Katrina]

Foto de Ricky Carioli, The Washington Post

Foto M. Scott Mahaskey, Associated Press

Foto de Melissa Phillip, Associated Press

Ajuda às vítimas do furacão Katrina: Hurricane Katrina Recovery on FirstGov.gov / Network for Good :: Hurricane Relief Efforts and Preparedness / American Red Cross - Hurricane 2005 relief / The Salvation Army National Headquarters / Hurricane Katrina — MoveOn.org Housing Offers/Searches / New Orleans Volunteers Classifieds and Want Ads - Craigslist / Ajuda através de Organizações Humanitárias Judaicas: Hurricane Relief - Chabad-Lubavitch of Louisiana / Hurricane Katrina Fund - American Jewish Committee / MAZON - Hurricane Katrina / B’nai B’rith International Disaster Relief / United Jewish Communities- Hurricane Katrina Relief / Orthodox Union: Hurricane Katrina — How You Can Help / United Synagogue of Conserevative Judaism: Hurricane Relief-You Can Help/ Union for Reform Judaism - URJ Disaster Relief Fund / American Jewish World Service.

* Clique no link acima para ouvir a canção de Randy Newman sobre as trágicas inundações que assolaram a Louisiana e o Mississippi em 1927.





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