Archive for November, 2003

O primeiro livro impresso em Portugal

O primeiro livro impresso em Portugal saiu das oficinas tipográficas de D. Samuel Porteiro, um judeu de Faro, em 1487. Sensivelmente 30 anos após Johannes Gutenberg ter espantado o mundo ao imprimir em Mainz a sua famosa Bíblia, o primeiro livro a sair de uma tipografia portuguesa foi igualmente uma edição das escrituras sagradas… mas em hebraico. O Pentateuco – os cinco livros de Moisés que compõem a Torá, foi impresso recorrendo já a avanços em relação à tecnologia inventada por Gutenberg, entre os quais a utilização de caracteres metálicos móveis. O único exemplar conhecido desta edição ainda em existência encontra-se na colecção permanente da British Library, em Londres, que detém ainda outra obra pioneira em termos nacionais: o Comentário ao Pentateuco, do rabino medieval espanhol Moisés ben Nahman (Nachmanides), o primeiro livro impresso em Lisboa, igualmente em hebraico, editado por Eliezer Toledano em 1487.
D. Samuel Porteiro imprimiu ainda em Faro, em 1488, uma edição de 22 volumes do Talmude do qual restam apenas fragmentos, uma vez que a Inquisição ordenou a sua destruição depois de D. Manuel ter decretado a expulsão dos judeus do reino de Portugal (e consequente conversão forçada ao Catolicismo), em 1497.


facsimile do Pentateuco hebraico, o primeiro livro imprenso em Portugal, no século XV

A Eternidade de Fernando Assis Pacheco no Aniversário da Sua Morte

Estava em Londres a 30 de Novembro de 1995. Liguei para a redacção a avisar que a prosa da semana ia já a caminho. Foi então que me deram a notícia: Fernando Assis Pacheco tinha morrido. Mudara-me para Londres meses antes e ainda sentia na pele o peso da distância de Lisboa. A notícia da morte de Assis Pacheco deixou-me ainda mais só. Já lá vão oito anos.
“Estas efemérides são muito chatas porque, não tendo nós o dom da ressurreição, caímos não obstante num discurso tão próximo do evangélico que soa a falso.” – escreveu Assis sobre o aniversário da morte de Zeca Afonso no Jornal de Letras a 25 de Fevereiro de 1992. Agora, perante a possibilidade de fazer o mesmo, não lhe podia dar mais razão.
Conheci-o na redacção d’O Jornal no início da década de 90. Eu um novato. Ele um jornalista lendário. Tive a sorte de crescer no jornalismo com ele ao lado. E de lhe ouvir as histórias que contava ao fim do dia no seu pequeno cubículo da redacção na Avenida da Liberdade.
É quase irónico estar agora a escrever sobre ele, aqui do outro lado do mundo, num computador. Assis nunca usou o computador. Escrevia as melhores prosas de cada edição numa máquina de escrever manual, que acariciava com a mão esquerda enquanto o indicador direito matraqueava letra a letra.
Os antigos sábios judaicos escreveram no Talmude e no Zohar que quando morre um homem singular, a data da sua morte abre ciclicamente um alçapão cósmico que nos permite aspirar a imitar as suas qualidades. E o Assis tinha muito que imitar.
Fernando Assis Pacheco morreu como gostariam de morrer muitos escritores: numa livraria. Na Bucholz, em Lisboa. Já lá vão oito anos.

Fernando Assis Pacheco
Fernando Assis Pacheco (1937-1995)

COMO UM RELÂMPAGO VERDE

Nesse ano e mês chamaram de Lisboa
era o pai de meu pai
morrendo velozmente ao telefone
eu ouvia os gritos baterem
nas portas da cristaleira
quis chamar Deus para convencê-lo
a suspender o voo
mas já ia longe para lá de Alfeizerão (1)
espero agora que a monotonia e a chuva
tornem à minha vida
um pouco é de supor mais intrigante

(1) à velocidade soube depois
de 1.500 Mach
como um relâmpago verde

Fernando Assis Pacheco, Variações em Sousa

Shabbat Shalom! (II)

Esta sábado será lida nas sinagogas a Parshat Toldot. Segundo a Cabala, a leitura da Torá desta semana realça a nossa tendência natural para criar amizades e estabelecer empatias com pessoas com opiniões e modos de vida semelhantes aos nossos. Em contraste, temos uma tendência inata para nos afastarmos e para julgar os que não concordam connosco. De acordo com os cabalistas, a leitura da parshat Toldot estabelece uma ligação mística que enfraquece esta predisposição negativa, de forma a podermos viver sob a regra estabelecida 200 anos antes da era cristã pelo rabi Hillel de Jerusalém: “Ama o próximo como a ti mesmo.” Shabbat Shalom e uma boa semana!

Big Brother em Israel

A jornalista israelo-americana Allison Kaplan Sommer (que chegou a trabalhar para a CNN) admite no seu blog que um dos seus últimos prazeres quase inconfessáveis foi assistir na TV ao desenrolar da versão israelita do Big Brother, chamado Project Y.
O concurso acabou na quarta-feira, com a inesperada vitória de Firas Houri, um israelita árabe. Escreve Allison: “Acredito que escolherem Firas Houri foi a maneira que os espectadores encontraram de mostrar o seu apreço pela forma como ele, enquanto israelita árabe, encara a vida, estendendo-lhe em resposta uma mão amiga. O próprio Firas disse que a sua vitória mostrava ‘que ainda há esperança’. Numa entrevista ao diário israelita Ma’ariv Firas Houri disse: ‘Para mim, a minha vitória demonstra que as pessoas estão a olhar umas para as outras enquanto seres humanos, tal como eles são. Os espectadores que seguiram o programa viram-me de uma forma objectiva.”
Honestamente, nunca pensei que se podesse alguma vez a escrever “Big Brother” e “esperança” no mesmo parágrafo, e que, ainda por cima, tudo fizesse sentido. Mas faz.

Ainda a Europa e o Antisemitismo

Pelos menos três dos nossos blogs (Aviz, Homem a Dias e Miniscente) apanharam a notícia do Público sobre o relatório do antisemitismo metido na euro-gaveta por razões “politicamente correctas”. Vale a pena ler também esta notícia sobre o mesmo assunto. De facto, como escrevia Francisco José Viegas, “nunca deixes que os factos estraguem uma ‘boa ideia’”.

Poesia Matinal

Conheço um homem
que fotografou a vista que viu
da janela do quarto onde fez amor
mas não o rosto da mulher que ali amou.

Yehuda Amichai, poeta israelita.

“Mostrem a estrela amarela com orgulho!”

Foi este o título que o líder judeu alemão Robert Weltsch deu a um editorial escrito a 4 Abril de 1933 em resposta ao boicote às lojas judias decretado pelos nazis assim que Hitler tomou o poder.
Quando a Estrela de David era imposta pelos nazis como forma de humilhação, o editorial de Weltsch no Juedische Rundschau apelava aos judeus para terem orgulho no seu judaísmo, em vez de se deixarem vencer pela perseguição. Na opinião de muitos, a exortação de Robert Weltsch contribuiu para elevar a moral da debilitada comunidade judaica alemã. Anos mais tarde, já após o final da guerra, Weltsch confessaria que se arrependia amargamente de ter escrito aquelas famosas palavras. Em vez de lutar para que os judeus conservassem o seu orgulho, disse ele, deveria tê-los encorajado a deixar a Alemanha.
Serve esta entrada para voltar ao tema dos kippot, desaconselhados pelo rabinato de Paris por serem visíveis “sinais exteriores de judaísmo”, isto numa altura em que o antisemitismo vai crescendo em França.

Devem os judeus procurar ocultar o mais possível a sua identidade ou, como exortava Robert Weltsch em 1933, mostrar o kippah “com orgulho”?
Primeiro as citações:
No Aviz de referência obrigatória escreve Francisco José Viegas: “(…) tenho dúvidas sobre a declaração do rabino-chefe de Paris; por um lado, alerta para um perigo real de que há provas substanciais; por outro, fomenta o desejo de vitimização e aceita a intimidação. Não sei, não sei.
No Crónicas Matinais, Ana Albergaria conta a sua experiência no terreno – que sendo judia e morando em Paris se traduz num registo imensamente pessoal e comovente. Escreve a Ana: “Mas mais importante que isso, muito, mas muito mais importante, é o facto de assistir – cada vez mais – a esses actos locais de anti-semitismo. Ainda a semana passada, no comboio, vinham dois senhores com o Kippah, a ler muito sossegados, e um grupo de marginais começou a insultá-los. Um deles cuspiu mesmo ao mais novo dos dois. Eles não abriram a boca. Nem eu. Não vale a pena, isto é diário. Em todos os comboios. Em qualquer lado. Perante a indiferença dos restantes passageiros. Ficaram eles, e eu, com os olhos húmidos. Senti-me muito cobarde, mas acho que não sou. Nem eu nem aqueles meus dois irmãos judeus. Apenas realistas.”
A Ana conta mais episódios chocantes vividos na primeira pessoa. Vale bem a pena ler as Crónicas Matinais.

Francisco José Viegas tem razão quanto à dificuldade que a questão coloca, quanto mais não seja em termos quotidianos. A fuga e a quase constante necessidade de se diluir no colectivo, seja ele qual for, está quase gravada no código genético do povo judeu. Isto é verdade na história da minha família em Portugal, obrigada a fingir-se católica durante quinhentos anos enquanto o judaísmo continuava vivo na alma e dentro de casa. É também verdade na família de judeus polacos e ucranianos da minha namorada, onde desde pequeno se era educado a ter apenas quanta roupa e livros coubessem numa mala, não fosse surgir a qualquer momento a necessidade de ter de escapar a um qualquer pogrom.
Por tudo isto, o caso presente é uma questão que transcende os limites restritos da comunidade judaica francesa. O antisemitismo tem de ser assumido pela Europa global – como noutro contexto referia ontem o sempre atento Homem a Dias.

Jean-Paul Sartre, que não era judeu, traçou em 1946 um retrato perfeito do antisemitismo – e em particular do caso francês. Num livro intitulado Réflexions sur la Question Juive Sartre concluía (vão-me perdoar mas vou citar a edição que tenho… a americana da Random House.. é um pouco extenso mas vale a pena):

“Antisemitism is a problem that affects us all directly; we are all bound to the Jew, because antisemitism leads straight to National Socialism. And if we do not respect the person of the Israelite, who will respect us? If we are conscious of these dangers, if we have lived in shame because of our involuntary complicity with the antisemites, who have made hangman of us all, perhaps we shall begin to understand that we must fight for the Jew, no more and no less then for ourselves.
I am told that a Jewish league against antisemitism has just been constituted. I am delighted; that proves that the sense of authenticity is developing among the Jews. But can such league be really effective? Many Jews, and some of the best among them, hesitate to participate because of a sort of modesty: ‘That’s biting off too much”, one of them said to me recently. And he added, rather clumsily but with undoubted sincerity and modesty: ‘Antisemitism and persecution are not important.’
It is easy enough to understand this repugnance. But we who are not Jews, should we share it? Richard Wright, the Negro writer, said recently: ’There is no Negro problem in the United States, there is only a White problem.’ In the same way we must say that antisemitism is not a Jewish problem; it is our problem. Since we are not guilty and yet run the risk of being it’s victims – yes, we too – we must be very blind indeed not to see that is our concern in the highest degree. It is not up to the Jews first of all to form a league against antisemitism; it is up to us.
(…)The cause of the Jews would have been half won if only their friends brought to their defense a little of the passion and the perseverance their enemies use to bring them down.
(…)What must be done is to point out to each one that the fate of the Jews is his fate. Not one Frenchman will be free so long as the Jews do not enjoy the fullness of their rights. Not one Frenchman will be secure so long as a single Jew – in France and in the world at large – can fear for his life.”

A minha referência de domingo tinha a ver com isto mesmo. Se serve para figurar no Tratado Constitucional Europeu, o tal mito da tradição judaico-cristã, da tal interligação de culturas e povos, não deveria antes servir para defender pessoas de carne e osso quando elas precisam de ser defendidas?
A Ana Albergaria, no pedaço de texto que citei, diz que se sentiu cobarde. Ela não tem nada que se sentir cobarde. A cobardia é da França em peso. Os homens franceses deviam andar hoje todos de kippot na cabeça!

*Citação do Dia*

“Primeiro vieram prender os comunistas, e eu não levantei a minha voz porque não era comunista. Depois vieram prender os sindicalistas e os socialistas, e eu não levantei a minha voz porque não era nem uma coisa nem outra. Depois vieram prender os judeus, e eu não levantei a minha voz porque não era judeu. Depois vieram prender-me e já não restava ninguém para levantar a voz por mim.”

Excerto de um sermão do pastor Luterano alemão Martin Niemöller, preso a 1 de Julho de 1937 pelas autoridades nazis e posteriormente enviado para os campo de concentração de Sachsenhausen e Dachau. Sobrevivendo aos horrores da guerra, Niemoller morreu, aos 92 anos, em Wiesbaden, na então R.F.A., a 6 de Março de 1984.

Notas de início de semana

A primavera quase eterna de Los Angeles prossegue inalterada. O sol inunda as paredes de domingo e um imenso céu azul estende-se pelo horizonte. Visto daqui, o mundo parece doce. Quase bucólico.

Raivinhas de estimação (I)
A expressão ”tradição judaico-cristã” e as tentativas de a referenciar no Tratado Constitucional Europeu: Ao pretender amalgamar duas mundividências radicalmente distintas, esta expressão tenta juntar o incompatível. Não existe nenhuma “tradição judaico-cristã”! Paulo de Tarso deixou isso bem claro quando transformou em religião distinta o que então era uma seita judaica. O mito da “tradição judaico-cristã” nasceu no seio do protestantismo liberal americano do século XIX e nada tem a ver com valores ou tradições europeias.

a) Sobre este mito escreveu o conceituado historiador e rabino Jacob Neusner: “A tradição judaico-cristã é algo que não existe, quer de um ponto de vista histórico ou mesmo teológico. Não é mais do um mito secular.”

b) Joshua Jehouda, refuta ainda mais: A expressão judaico-cristão é um erro que tem alterado a história universal pela confusão que lançou na mente dos homens, se por ela se faz crer na origem Judaica do Cristianismo(…). O termo ‘judaico-cristão’ é baseado numa ‘contradictio in abjecto’ que tem levado os caminhos da história pelo lado errado. Liga num fôlego duas ideias que são completamente irreconciliáveis, procura demonstrar que não existe diferença entre dia e noite, entre quente e frio ou preto e branco, introduzindo assim um elemento fatal de confusão numa base sobre a qual, mesmo assim, alguns se lançam a construir uma civilização.”
(l’Antisemitisme Miroir du Monde pp. 135-6)

Sinais exteriores de Judaísmo
O crescendo de antisemitismo em França leva o rabino chefe da comunidade de Paris a desaconselhar o uso de kippot nas ruas. Onde está afinal a tradição judaico-cristã quando é precisa?

O primeiro Shabbat

Amanhã celebra-se o primeiro Shabbat aqui na Rua da Judiaria. Esta semana, em todas as sinagogas do mundo será lida a Parshat Chayei Sara. Para uma perspectiva cabalística, podemos também ler o que diz o Zohar acerca desta parshat. Shabbat Shalom!

RTP Internacional e a frustração de quem mora longe

Primeiro a confissão: a regular leitura de blogs contribuiu para me aproximar ainda mais de pessoas com quem mantinha laços de amizade e cumplicidades, mas também ajudou a mudar ideias feitas que tinha sobre outros com quem nunca tinha convivido e de quem conhecia apenas a persona mediática. Nesta última categoria encontra-se J. Pacheco Pereira. O seu ABRUPTO permitiu-me encontrar um JPP que desconhecia por completo. No blog encontrei um homem que aprendi a admirar, apesar de politicamente termos do mundo uma visão oposta.
Dito isto, leio no ABRUPTO um comentário de JPP com o qual não podia estar mais de acordo. Escreve ele sobre a RTP Internacional e a total ausência de senso comum e sentido de serviço público que presidem à sua programação:

“Volto à pátria por via televisiva. Procuro notícias, o telejornal, encontro um programa da RTP Internacional ainda mais bizarro do que o costume. Um filme português do tempo do PREC, que apanho no fim, numa cópia de tão má qualidade que quase nada se via no ecrã. Depois uma sucessão caótica de pequenos filmes sem nexo: uma Contra-Informação, uns spots musicais, um do Luís Represas, uns filmes turísticos sobre Portugal profundo, uns reclames repetidos n vezes sobre como era boa a televisão pública, outros sobre o “futebol de interesse público”, quatro vezes o anúncio do programa do Francisco José Viegas. Parecia que alguém tinha deixado bocados de filme em piloto automático durante quase três horas. Nem uma palavra sobre quando é que passaria o telejornal, nem o que se passava com a programação. De repente, out of the blue, às 23,53, o telejornal.
Vim depois a saber que a RTP estava a transmitir um jogo de futebol, o enésimo, para Portugal, e a RTPI enchia o espaço com o que algum funcionário preguiçoso encontrava em arquivo. Nenhuma explicação, nenhum texto dizendo a que horas haveria programação normal, o que se estava a passar. O jogo, por sua vez, entre Portugal e França, era invisível aos emigrantes portugueses em França - eis o “futebol de interesse público”. A completa falta de respeito da televisão pública para com os emigrantes. Inimaginável.”

Há quase 10 anos que deixei Portugal. Morando actualmente em Los Angeles, na Califórnia, confesso, recorro de quando em vez à RTP Internacional em busca de um cordão umbilical à pátria. Mas, como escreve JPP, “voltar à pátria por via televisiva” acarreta elevados custos. Imagine-se o que é procurar a nossa “inner-portugalidade”, da única forma audiovisual possível a esta distância, e deparar com chorrilhos de pimbalhice e remakes portuguesas abastardadas de sitcoms americanas dos anos 50 e 60. Para já não falar das constantes alterações de programação, feitas sem que o espectador tenha a mínima ideia do que aconteceu ao programa que estava à espera de encontrar quando ligou a TV.
Seriam precisos megabytes e megabytes de blog para exemplificar a falta de estratégia programática da RTPI e a sua total falta de sensibilidade quanto às necessidades dos seus utentes televisivos. É claro que muito disto tem a ver com o sentimento há muito enraizado de preconceito em relação aos emigrantes reduzido ao silogismo “emigrante logo pimba”. Durante muito tempo, isto fez da RTPI uma versão televisiva das cassetes pirata vendidas nas feiras de província. A RTPI, durante os últimos anos, também pouco mais foi do que uma versão “digest” da RTP nacional, de onde o sentido de serviço público andou sempre arredado.
É certo que as coisas começaram a mudar de há uns meses para cá. Hoje são exibidos magazines temáticos sobre várias comunidades emigrantes (Canadá, África do Sul, etc.), mas será mesmo isso que os portugueses que estão no estrangeiro precisam de ver na versão internacional da televisão estatal? Na verdade muitas destas comunidades têm acesso fácil a meios de comunicação locais (jornais, rádios, mesmo televisão) onde publicitam e noticiam as suas actividades.
Confesso que pertenço ao grupo de ingénuos que acredita na função pedagógica da televisão, especialmente de uma televisão de serviço público de alcance internacional. Como pode, por exemplo, a actual RTPI cativar a atenção dos luso-descendentes californianos, alguns de segunda ou terceira geração, que apesar de sentirem uma ligação a Portugal não falam uma palavra de português? Não deveria ser essa uma das vocações da RTPI? Promover a extensão do sentido de portugalidade e a imagem de Portugal deviam ser objectivos orientadores da RTPI, mas basta olhar para a sua programação actual para ver que se está bem longe disso.
Será que os responsáveis pela nossa RTPI não olharam nunca para o que fazem os canais internacionais das suas congéneres europeias? TVE, TV5, etc.?
E depois há o eterno problema colocado por JPP no seu blog: os programas mudados à pressa e que raramente são emitidos às horas anunciadas.
Às vezes penso que sou eu que estou mal habituado, pelo menos no que toca ao respeito pelos espectadores. Com todos os defeitos que a televisão americana pode ter (e acreditem que a lista seria bastante longa), a forte competição entre estações criou regras rígidas destinadas a criar hábitos definidos entre aqueles que escolhem a estação. Uma delas é a rotina. Não é preciso ser um génio para perceber que a rotina é a primeira regra de fidelização dos espectadores. Saber que o programa “X” passa às tantas horas faz mais pelas audiências do que milhões em publicidade. Por aqui, os espectadores habituaram-se a ver os programas começados apenas às horas certas (20:00h; 22:00h, etc.) e às meias horas (20:30h, 22:30h, etc.), o que por si só é infinitamente melhor do que ter de memorizar que um programa começa às 18:34h…
Já desisti de ficar frustrado com a RTPI, mas ainda me irrito sempre que a minha tentativa de “voltar à pátria por via televisiva” não é correspondida. “Porque raio estás tu a ver televisão mexicana?”, perguntou-me há algum tempo a minha amada e futura mulher, que não fala português, quando me apanhou a meio de um pretenso programa cómico da RTPI onde a ideia de comédia era transmitida aos gritos e por “laugh tracks” despropositadas.
No final. Com um suspiro intermitente, pego no controlo remoto e mudo para o canal 764 que a Adelphia de West Hollywood me concede. Finalmente volto “à Europa por via televisiva”… graças à TV5. Merci!

Sampaio, o Judaísmo português e os atentados na Turquia

O Presidente de Portugal visitara a sinagoga Neve Shalom,uma das sinagogas de Istambul vitimadas pelos atentados de sábado, durante a sua deslocação à Turquia, em Setembro passado. (Ver Portuguese President Visits Neve Shalom Synagogue).
As ligações a Portugal da comunidade judaica residente na Turquia remontam aos finais do século XV, quando o Império Otomano acolheu de braços abertos os judeus portugueses que D. Manuel I expulsara ou obrigara a converter ao catolicismo. Pioneiros à força da emigração portuguesa, os judeus chegaram a Istambul e encontraram em terras muçulmanas uma tolerância que nunca tinham experimentado na nossa pátria. Célebre é a frase proferida pelo sultão Bayazid II, que reinou sobre terras otomanas entre 1481 e 1512: “Chamais sábios aos reis de Castela e Portugal; eles que expulsando os judeus empobrecem os seus reinos e enriquecem o meu.” (Citado por Immanuel Aboad in Nomologia, o Discursos Legales Compuestos, Amsterdão 1629).
O nome de família do actual presidente da comunidade judaica da Turquia, Bension Pinto bem essa ligação ancestral à pátria lusa.

No ABRUPTO, entretanto, JPP escreve hoje sobre os atentados e, quer se concorde ou não com o seu raciocínio, deixa um importante ponto de reflexão:

“(…)Infelizmente o que bateu à porta da antiquíssima colónia judaica de Istambul e matou muitos bons muçulmanos que passavam na rua, foi uma bomba da Al Qaeda. Muito significativamente a bomba explodiu, matou quem matou, aumentou as tensões turcas, mas nem o eco dessa explosão se ouviu de Atenas para cá. Uma multidão prepara-se para “receber” Bush em Londres, com aquela apetência para tomar como alvos preferenciais os nossos, sejam eles menos bons , medíocres, iludidos, arrogantes, enganados, perigosos, estúpidos, ineptos, o que quiserem, e esquecer os verdadeiramente maus, os que não vivem senão de um terror absoluto e abstracto. Quantos dos milhares, dezenas de milhares, centenas de milhares, que vão chamar a Bush assassino, sairiam para a rua contra a Al Qaeda? Não é uma pergunta retórica, é uma provocação pela verdade. Um em dez mil? Talvez, já estou benevolente como Deus com os seus mensageiros a Sodoma e Gomorra, para saber se havia mais justos na cidade do que a família de Lot. Não havia. Como estão confundidas as nossas prioridades!”

Acreditando, mesmo assim, que Bush merece todas as manifestações que lhe atirarem para cima, não posso deixar de concordar parcialmente com JPP.

Mais uma achega para o debate do antisemitismo

A última edição da revista judaica Tikkun publica um extenso artigo assinado por Miriam Greenspan intitulado “The New Anti-Semitism”, uma perspectiva de esquerda que vale bem a pena ler.
Aqui vai um pequeno excerto:

“Renouncing hatred, in all its forms, is the only thing that will save us—Israeli, Palestinian, Tutsi, Hutu, Croat, Serb, Muslim, Christian, Jew, Hindu, Buddhist, Kurd, man, woman, and child. Are Palestinians “justified” in nursing their rage at Occupation until it becomes a deadly hatred of Jews? Are Jews “justified” in turning their fear of annihilation and their anger at Arab terrorism into a blind and spiteful Occupation? Where will this get us? Will it bring back the dead on both sides? Will Arab mothers be able to lift their children in their arms in a free society rather than send them to their deaths in order to take down another Jew? Will Jewish mothers be able to put their children on a bus without fear that they will never see them again except, if they are lucky, at the morgue? Will hatred bring about two states in Israel and Palestine? Will it bring justice? Will it bring peace? Will it do anything at all except spill more innocent blood and poison the soul of the hater? To paraphrase a forgotten 1960’s anti-war song: When will we ever learn? When will we ever learn?”

Resgate de valor incalculável

Sepher Yetzirah, “O Livro da Formação”, é um dos principais pilares literários e teológicos da Cabala.. Atribuído pelos sábios judaicos e cabalistas ao Patriarca Abraão, o livro é um tratado de astrologia, astronomia e gematria contido em pouco mais de 35 páginas. Agora, uma das suas mais antigas cópias ainda em existência, datada do século XIV, foi devolvida à comunidades judaica de Viena, depois de ter sido roubado há 65 pelos nazis .

O “Judaismo” de Jorge Sampaio

A edição semanal do Jerusalem Post publicou no passado dia 7 uma entrevista bastante interessante com o nosso Presidente, que parece ter passado completamente despercebida à Imprensa nacional e aos comentadores do costume.
De uma forma muito diplomática – talvez mesmo desconfortável por vezes – Jorge Sampaio assume as suas raízes judaicas e responde a algumas perguntas incómodas do jornalista Michael Freund. Neto de uma judia de origem marroquina, Jorge Sampaio é, para todos os efeitos, e perante a Halakhah (a Lei Judaica), um judeu, ainda que não se reconheça como tal. Desterrado de Portugal, em terras de Los Angeles, foi com algum orgulho, confesso, que li nas páginas do Jerusalem Post a entrevista a Sampaio. Longe de Portugal, é mais fácil para mim distanciar-me das tricas quotidianas da politiquice nacional. Como judeu, só tenho pena que Sampaio não tenha abraçado na totalidade o seu judaísmo, agnóstico ou não.
A entrevista merece ser lida na integra.

Aqui vai:

Nov. 7, 2003

Portugal’s president:
‘I am proud of my Jewish ancestry’

By MICHAEL FREUND

With its marble floors, ornate furniture, and rare artwork, Lisbon’s Belem Palace could easily compete with some of Europe’s finest museums. Although not a cultural institution per se, the palace does serve a central function in the life of Portugal: It is home to the president of the republic, Dr. Jorge Sampaio.
Sampaio has served as president since 1996, having been re-elected to a second five-year term in 2001. Unlike in Israel, the presidency in Portugal is more than just a ceremonial post. He is commander-in-chief of the armed forces, and has the power to dissolve parliament and call for national elections.
Sampaio would have little difficulty being counted for a minyan: His maternal grandmother was from a Moroccan Jewish family. His cousin is president of the Lisbon Jewish community, and Sampaio has several distant relatives living in Israel.
In an interview with The Jerusalem Post, Sampaio discussed the rising tide of European anti-Semitism, Portuguese-Israeli relations, and his Jewish ancestry.


Mr. President, anti-Semitism is on the rise across Europe. Why does much of the continent seem unable to cure itself of this prejudice?

I have constantly denounced all forms of discrimination and xenophobia, be it of religious, ethnic, cultural, sexual, or any other nature. I obviously condemn any form of anti-Semitism…. The resurgence of anti-Semitism in Europe is a fact – although it is not a pattern – and must also be seen in the framework of the resurgence of other forms of xenophobia and racial hatred. These manifestations do exist and we must fight all of them with the same energy, attacking their causes, and prosecuting those that sow hatred and violence.

Anti-Israel and anti-Zionist sentiments in Europe often seem to be a cover for expressing anti-Semitic feelings under the guise of political opposition to Israeli policies. Why is Europe so critical of Israel? Is anti-Semitism a factor?
I believe that we must be careful with our assertions. I am ready to admit that some criticism of Israel might have some anti-Semitic motivations. But I absolutely reject that all criticism of Israeli policies has such motivations. In fact, many people who criticize such policies have the security of Israel and the well-being of the Israeli people at the core of their motivations, I for one. I do believe that Europe’s position has strived to be fair and balanced, even if, sometimes, we have not managed to make our position sufficiently clear.

The Portuguese Embassy in Israel sits in Tel Aviv, even though Jerusalem is Israel’s capital. Why won’t Portugal recognize Israel’s sovereign right to determine its own capital?
I know how important and sensitive this issue is for Israelis and most Jews. You know the historical context of this situation. We are bound in this matter by the collective decisions of the European Union. But I also want to tell you that my sincere wish would be for our embassy to move to Jerusalem as soon as possible, for that would mean that peace would finally be at hand.

Portugal was once home to a thriving Jewish community, which was cruelly persecuted and forced to convert in 1497. Has Portugal come to terms with what was done to the Jewish people on its soil?
We have come to terms with our own history, with its more brilliant and with its more shady aspects. The difference now is that all periods of our history are being studied and that we have today a much better knowledge of them. The ceremonies which took place on the 500th anniversary of the Decree of Expulsion, over which I presided with the then- speaker of the Knesset are proof of all this.

Five centuries ago, the Catholic Church and the Portuguese monarchy confiscated Jewish property, including synagogues and other communal structures. Shouldn’t they be returned to the Jewish people as an act of historical justice?
We cannot rewrite or relive history. We cannot go back centuries. We cannot today, after 500 years, redress a situation in material terms. I think we have redressed it in an historical perspective, and I think that all Portuguese, including Portuguese citizens that are Jewish, feel comfortable about it.

A growing number of Portuguese descendants of Jews who were forcibly converted to Catholicism during the Inquisition have recently begun to return to Judaism. What do you think of this phenomenon?
We are proud of our history and of our humanistic values, of the multicultural fabric of our society. If people adopt or return to Judaism, it is entirely a personal issue that enriches our cultural dynamics.

I understand that you have Jewish ancestry in your family. What is your personal connection to the Jewish people? Do you consider yourself to be a Jew?
My grandmother belonged to a Jewish family that came from Morocco in the beginning of the 19th century. She married a non-Jewish naval officer who later was Foreign Affairs minister. I am naturally very proud of this ancestry and of all those that I call my “favorite Jewish cousins,” one of whom is the president of the Lisbon Jewish Community, as I am proud of the ancestry on my non-Jewish father’s side. Personally, I am agnostic, and I do not consider myself a Jew; but I am proud, as I said, of my ancestors.

Has your Jewish background ever been an issue for you in politics?
The answer is no. Portugal, as I have said, is a democratic lay state. Issues of religion, culture, or race are not and should not be an issue in the political arena.

You visited Israel twice as mayor of Lisbon, but have yet to do so as the president of Portugal. Do you have any plans to visit Israel soon?
I would very much like to visit Israel again. I have very strong and enriching memories of my previous two visits. I follow closely developments in your country and in the region. The present situation saddens me very much indeed. And my sincere hope is that, amid all the present difficulties, Israelis and Palestinians can find a way by which to build peace and to end this tragedy and all the suffering it has entailed for both peoples.

Genealogia Judaica Portuguesa

Nas últimas semanas, recebi no Correio da Judiaria várias mensagens de leitores que indagavam sobre as suas eventuais raízes judaicas. Por vezes os nomes de família e as terras de origem dizem tudo, e basta uma consulta rápida em dois ou três livros de história ou genealogia sefardita para confirmar uma conversão forçada ao catolicismo ou um julgamento perante os tribunais da Inquisição. Outras vezes é preciso trabalhar mais para conseguir desenterrar o que em muitas famílias portuguesas é o mais bem guardado dos segredos. Há uma extensa bibliografia que pode ajudar a traçar esta geografia da identidade pessoal de muitos descendentes de judeus portugueses. Aqui ficam alguns dos livros que considero fundamentais:

“A History of the Marranos”, Cecil Roth
“Sangre Judia”, Pere Bonnin
“Secrecy and Deceit: The Religion of the Crypto-Jews”, David Gitlitz
“Os Marranos em Portugal”, Arnold Diesendruck
“A Origem Judaica dos Brasileiros”, José Geraldo Rodrigues de Alckmin Filho
“Dicionário Sefaradi de Sobrenomes”, Guilherme Faiguenboim, Anna Rosa Campagnano e Paulo Valadares (ver Folha Online - Dicionário viaja ao passado dos sefaradis - 06/01/2004)

A título de referência breve, aqui seguem alguns nomes de família de “cripto-judeus”, prevalentes, mas não de forma exclusiva, nas regiões da Beira-Baixa, Trás-os-Montes e Alentejo*:

Amorim; Azevedo; Alvares; Avelar; Almeida; Barros; Basto; Belmonte; Bravo; Cáceres; Caetano; Campos; Carneiro; Carvalho; Crespo; Cruz; Dias; Duarte; Elias; Estrela; Ferreira; Franco; Gaiola; Gonçalves; Guerreiro; Henriques;Josué; Leão; Lemos; Lobo; Lombroso; Lopes; Lousada; Macias; Machado; Martins; Mascarenhas; Mattos; Meira; Mello e Canto; Mendes da Costa; Miranda; Montesino; Morão; Moreno; Morões; Mota; Moucada; Negro; Nunes; Oliveira; Ozório; Paiva; Pardo; Pilão; Pina; Pinto; Pessoa; Preto; Pizzarro; Ribeiro; Robles; Rodrigues; Rosa; Salvador; Souza; Torres; Vaz; Viana e Vargas.

Nomes de famílias judaicas portuguesas na Diáspora (Holanda, Reino Unido e Américas)**

Abrantes; Aguilar; Andrade; Brandão; Brito; Bueno; Cardoso; Carvalho; Castro; Costa; Coutinho; Dourado; Fonseca; Furtado; Gomes; Gouveia; Granjo; Henriques; Lara; Marques; Melo e Prado; Mesquita; Mendes; Neto; Nunes; Pereira; Pinheiro; Rodrigues; Rosa; Sarmento; Silva; Soares; Teixeira e Teles (entre muitos outros).

Sobrenomes judaicos de origem portuguesa na América Latina***:

Almeida; Avelar; Bravo; Carvajal; Crespo; Duarte; Ferreira; Franco; Gato; Gonçalves; Guerreiro; Léon; Leão; Lopes; Leiria; Lobo; Lousada; Machorro; Martins; Montesino; Moreno; Mota; Macias; Miranda; Oliveira; Osório; Pardo; Pina; Pinto; Pimentel; Pizzarro; Querido; Rei; Ribeiro; Robles; Salvador; Solva; Torres e Viana

*in “Os Marranos em Portugal”, Arnold Diensendruck
** in “Raízes Judaicas no Brasil”, Flávio Mendes de Carvalho
*** in “Os Nomes de Família dos Judeus Creolos”, estudo de Arturo Rab, publicado na revista “Juedische Familien Forschung”, Berlim, 1933

::ADENDA:: Nomes de família citados com maior frequência nos documentos da Inquisição, relativos a “relapsos” condenados pelo “crime de judaísmo”:

Rodrigues_________453 pessoas
Nunes____________229 pessoas
Mendes___________224 pessoas
Lopes____________282 pessoas
Miranda__________190 pessoas
Gomes___________184 pessoas
Henriques_________174 pessoas
Costa____________138 pessoas
Fernandes_________132 pessoas
Pereira___________124 pessoas
Dias_____________124 pessoas

Segue uma listagem (reduzida) de nomes de familias judias e cripto-judias retirada do Dicionário Sefaradi de Sobrenomes:

A

Abreu Abrunhosa Affonseca Affonso Aguiar Ayres Alam Alberto Albuquerque Alfaro Almeida Alonso Alvade Alvarado Alvarenga Álvares/Alvarez Alvelos Alveres Alves Alvim Alvorada Alvres Amado Amaral Andrada Andrade Anta Antonio Antunes Araujo Arrabaca Arroyo Arroja Aspalhão Assumção Athayde Avila Avis Azeda Azeitado Azeredo Azevedo

B

Bacelar Balao Balboa Balieyro Baltiero Bandes Baptista Barata Barbalha Barboza /Barbosa Bareda Barrajas Barreira Baretta Baretto Barros Bastos Bautista Beirao Belinque Belmonte Bello Bentes Bernal Bernardes Bezzera Bicudo Bispo Bivar Boccoro Boned Bonsucesso Borges Borralho Botelho Braganca Brandao Bravo Brites Brito Brum Bueno Bulhao

C

Cabaco Cabral Cabreira Caceres Caetano Calassa Caldas Caldeira Caldeyrao Callado Camacho Camara Camejo Caminha Campo Campos Candeas Capote Carceres Cardozo/Cardoso Carlos Carneiro Carranca Carnide Carreira Carrilho Carrollo Carvalho Casado Casqueiro Casseres Castenheda Castanho Castelo Castelo branco Castelhano Castilho Castro Cazado Cazales Ceya Cespedes Chacla Chacon Chaves Chito Cid Cobilhos Coche Coelho Collaco Contreiras Cordeiro Corgenaga Coronel Correa Cortez Corujo Costa Coutinho Couto Covilha Crasto Cruz Cunha

D

Damas Daniel Datto Delgado Devet Diamante Dias Diniz Dionisio Dique Doria Dorta Dourado Drago Duarte Duraes

E

Eliate Escobar Espadilha Espinhosa Espinoza Esteves Évora

F

Faisca Falcao Faria Farinha Faro Farto Fatexa Febos Feijao Feijo Fernandes Ferrao Ferraz Ferreira Ferro Fialho Fidalgo Figueira Figueiredo Figueiro Figueiroa Flores Fogaca Fonseca Fontes Forro Fraga Fragozo Franca Frances Francisco Franco Freire Freitas Froes/Frois Furtado

G

Gabriel Gago Galante Galego Galeno Gallo Galvao Gama Gamboa Gancoso Ganso Garcia Gasto Gavilao Gil Godinho Godins Goes Gomes Goncalves Gouvea Gracia Gradis Gramacho Guadalupe Guedes Gueybara Gueiros Guerra Guerreiro Gusmao Guterres

H/I

Henriques Homem Idanha Iscol Isidro Jordao Jorge Jubim Juliao

L

Lafaia Lago Laguna Lamy Lara Lassa Leal Leao Ledesma Leitao Leite Lemos Lima Liz Lobo Lopes Loucao Loureiro Lourenco Louzada Lucena Luiz Luna Luzarte

M

Macedo Machado Machuca Madeira Madureira Magalhaes Maia Maioral Maj Maldonado Malheiro Manem Manganes Manhanas Manoel Manzona Marcal Marques Martins Mascarenhas Mattos Matoso Medalha Medeiros Medina Melao Mello Mendanha Mendes Mendonca Menezes Mesquita Mezas Milao Miles Miranda Moeda Mogadouro Mogo Molina Monforte Monguinho Moniz Monsanto Montearroyo Monteiro Montes Montezinhos Moraes Morales Morao Morato Moreas Moreira Moreno Motta Moura Mouzinho Munhoz

N

Nabo Nagera Navarro Negrão Neves Nicolao Nobre Nogueira Noronha Novaes Nunes

O

Oliva Olivares Oliveira Oróbio

P

Pacham/Pachão/Paixao Pacheco Paes Paiva Palancho Palhano Pantoja Pardo Paredes Parra Páscoa Passos Paz Pedrozo Pegado Peinado Penalvo Penha Penso Penteado Peralta Perdigão Pereira Peres Pessoa Pestana Picanço Pilar Pimentel Pina Pineda Pinhão Pinheiro Pinto Pires Pisco Pissarro Piteyra Pizarro Pombeiro Ponte Porto Pouzado Prado Preto Proenca

Q

Quadros Quaresma Queiroz Quental

R

Rabelo Rabocha Raphael Ramalho Ramires Ramos Rangel Raposo Rasquete Rebello Rego Reis Rezende Ribeiro Rios Robles Rocha Rodriguez Roldão Romão Romeiro Rosário Rosa Rosas Rozado Ruivo Ruiz

S

Sa Salvador Samora Sampaio Samuda Sanches Sandoval Santarem Santiago Santos Saraiva Sarilho Saro Sarzedas Seixas Sena Semedo Sequeira Seralvo Serpa Serqueira Serra Serrano Serrao Serveira Silva Silveira Simao Simoes Soares Siqueira Sodenha Sodre Soeyro Sueyro Soeiro Sola Solis Sondo Soutto Souza

T/U

Tagarro Tareu Tavares Taveira Teixeira Telles Thomas Toloza Torres Torrones Tota Tourinho Tovar Trigillos Trigueiros Tridade Uchôa

V/X/Z

Valladolid Vale Valle Valenca Valente Vareda Vargas Vasconcellos Vasques Vaz Veiga Veyga Velasco Velez Vellez Velho Veloso Vergueiro Viana Vicente Viegas Vieyra Viera Vigo Vilhalva Vilhegas Vilhena Villa Villalao Villa-Lobos Villanova Villar Villa Real Villella Vilela Vizeu Xavier Ximinez Zuriaga



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